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Ao portal de informações sobre Honestino Guimarães.
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Norton Monteiro Guimarães (em memória)
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Ivonette Santiago de Almeida
Salvador Coaracy
 

O último vestígio oficial de Honestino

Posted By admin on março 13th, 2017

Passados 40 anos do enigmático desaparecimento do líder estudantil da UnB, documento inédito obtido pelo correio comprova a prisão por militares.
O que aconteceu depois, no entanto, ainda está longe de vir à tona.

Honestino Guimarães, na década de 1960: tortura só foi incluída no atestado de óbito em 2012

Honestino Guimarães, na década de 1960: tortura só foi incluída no atestado de óbito em 2012

“Preso em 10 Out 73 no Rio de Janeiro.” O curto enunciado, recém-descoberto, é a mais preciosa pista encontrada desde o desaparecimento de Honestino Guimarães, há 40 anos. É a primeira citação oficial achada sobre a prisão do líder estudantil, em que se confirma também a data do “sequestro”, como define a família. Desde então, ele nunca mais foi visto. O Correio teve acesso ao documento secreto de 71 páginas, de 1978, no qual está a citação. Encontrada pela Comissão da Verdade de Pernambuco (CV-PE), a papelada foi posteriormente analisada pela congênere carioca — que achou o trecho da prisão do líder estudantil. Apesar da importância da descoberta, que pode fornecer pistas para os próximos esforços de pesquisa, o caso Honestino segue como um dos mais enigmáticos crimes da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985).

A citação a Honestino Monteiro Guimarães faz parte da resposta do Serviço Nacional de Informações (SNI) a uma série de dados solicitados pelo Ministério da Aeronáutica, em 1978. O pedido de buscas do Quartel General do Comando Costeiro da Aeronáutica desejava saber o paradeiro de dezenas de opositores da ditadura. Entre eles, também estava Fernando Santa Cruz, cujo sumiço é investigado pela CV-PE. A informação da prisão do estudante, em 22 de fevereiro de 1974, estava na mesma resposta do SNI e, assim como no caso Honestino, foi encontrada pela primeira vez, oficialmente, no mesmo documento.

Documento da Aeronáutica sobre desaparecidos admite a prisão de Honestino Guimarães em 1973

“Fernando Santa Cruz é pernambucano, mas desapareceu no Rio. Eles nos deram isso e, quando nós escarafunchamos, vimos lá o Honestino também”, explica o presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro (CV-RJ), Wadih Damous. No trecho em que trata do ex-presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub) e da União Nacional dos Estudantes (UNE), o SNI listou para a Aeronáutica algumas informações sobre Honestino: o codinome “Alexandre”, o histórico policial, a condenação a 19 anos de cárcere com base no AI-2 e, mais importante, a data da prisão do goiano de Itaberaí.

“Isso é importante, porque temos testemunhos isolados, mas nada do Estado brasileiro sobre o Honestino. Qualquer documento nos ajudará na busca pela história dele. É um começo, é algo a ser comemorado”, ressalta o presidente da Comissão da Verdade da Universidade de Brasília, Cristiano Paixão, que considera o caso Honestino emblemático. “Ele é fruto de uma ideia de educação, de universidade; era um aluno brilhante, líder estudantil, formado no sistema público, uma das melhores formas de mostrar o que um projeto emancipatório de ensino pode trazer ao país.” Paixão acredita que novas informações possam surgir a partir “do contexto em que se produziu e por onde o documento passou”.

Damous é um tanto cético quanto à descoberta. “É um dos casos mais misteriosos e, infelizmente, não avançamos além desse documento. Ainda estamos no indício, não temos condições de dizer efetivamente que isso (prisão) aconteceu.” O presidente da CV-RJ confessa que “dificilmente, e estou sendo muito franco, vamos saber, pelos nossos próprios esforços, a verdade”. Para que a história venha à tona, acredita Damous, o Estado brasileiro deve “vir a público e dizer o que de fato aconteceu em relação a todos os desaparecidos. O Estado se mantém insensível em relação a isso, e não falo do Estado ditatorial, mas do democrático”.

Isso é importante, porque temos testemunhos isolados, mas nada do Estado brasileiro sobre o Honestino. Qualquer documento nos ajudará na busca pela história dele. um começo, é algo a ser comemorado”
Cristiano Paixão, presidente da Comissão da Verdade da Universidade de Brasília

Fonte: www.correiobraziliense.com.br
ÉTORE MEDEIROS
Publicação: 31/03/2014 04:00

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