Honestino Guimarães

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Ofensiva do grande capital: Mais um golpe na América Latina

O presidente Manuel Zelaya, de Honduras, foi apeado do governo por um golpe, em 2009. Em 2012 o presidente Fernando Lugo, do Paraguai, eleito democraticamente, foi deposto, pelo que se pôde chamar na época, de golpe parlamentar. Em 2016, no Brasil, a presidenta Dilma Roussef, eleita democraticamente, foi impedida de governar, depois de ter sido ameaçada de ser derrubada logo após a eleição pelo candidato derrotado.

Desde a ascensão de Hugo Chavez ao governo, os ataques à Venezuela sucederam-se, sem que Chavez, que tinha maciço apoio popular, fosse derrubado, e seu sucessor, Maduro, vem-se mantendo, apesar da violência dos ataques patrocinados pelo grande capital.

A Bolívia vinha tendo bons resultados econômicos. O apoio popular a Evo Morales, que inaugurou um governo indígena em um país de maioria população indígena, era patente. Sua vitória legítima nas últimas eleições, foi, como de praxe, contestada pela direita inconformada a serviço de grandes patrões internacionais. O grande capital internacional não pode suportar governos populares e independentes na América Latina.

A declaração falaciosa da OEA de que as eleições que Evo Morales venceu no primeiro turno foram fraudadas deu o sinal para o golpe. Noam Chomsky denunciou que o plano dos Estados Unidos era derrubar ou matar Evo Morales. Ou seja, tudo vale para impedir o avanço das forças populares, tudo vale para que o grande capital mantenha, a ferro, fogo e sangue, o domínio sobre a América Latina. Na Venezuela, Maduro, com apoio popular e das forças armadas, resistiu à violência dos ataques. Mas o violento golpe contra Evo Morales, com participação militar, incêndios e sequestros, derrotou o governo popular indígena e dá mais um passo no rumo da escalada fascista do fundamentalismo evangélico na América Latina.

No Brasil, as massas populares foram anestesiadas pela propaganda anticomunista e pela doutrinação religiosa evangélica, que instiga a intolerância e o fanatismo. O povo pobre brasileiro foi convencido de que os governantes que bem ou mal, trouxeram melhorias para suas vidas não passavam de corruptos e ladrões que mereciam cadeia. A justiça brasileira inaugurou com José Dirceu, em 2013, a condenação sem provas, o chamado lawfare, que foi mobilizado com toda a intensidade para prender Lula e impedi-lo de candidatar-se à eleição presidencial, que ele poderia ganhar no primeiro turno. O Partido dos Trabalhadores de Lula foi desmoralizado, praticamente sem reagir, embora tenha ainda conseguido eleger a maior bancada na Câmara.

A eleição de Jair Bolsonaro no Brasil foi possível com a prisão de Lula, com as armas do Cambridge Analytica e das notícias falsas difundidas pelos telefones celulares, embora aparentemente dentro dos rituais da democracia. Esta foi uma vitória do grande capital e significou para o povo brasileiro a liquidação dos sindicatos e organização dos trabalhadores, o fim de direitos trabalhistas e sociais, o desmonte da educação, a entrega do patrimônio nacional, a destruição do meio ambiente, a subserviência total ao governo dos Estados Unidos e a estagnação econômica.

É indispensável agora canalizar a decepção dos eleitores com o presidente para voltar a trilhar o caminho do debate de ideias, da disputa democrática, politizada, sem fanatismo, sem intolerância, sem ódio. Precisamos voltar a ter como ideal um país de todos, de todas as cores, de todos os pensamentos e ideias, de progresso, de bem-estar, de fraternidade, solidariedade e felicidade. Os grandes patrões não podem continuar a massacrar o povo para aumentar seus já imensos lucros. Vamos aproveitar a liberdade de Lula – que, não nos enganemos, pode ser provisória – para que ele seja o catalisador da mobilização popular.

A tarefa da esquerda é, mais do que nunca, unir-se, não só no Brasil, mas em todo o mundo. A internacional capitalista é unida e sólida. Assim conseguiu abalar ou anular tantas conquistas do século XX: vitórias populares sobre a monarquia russa, sobre o colonialismo na África, na Ásia, sobre o imperialismo na América Latina. Direitos duramente conquistados pelos negros, por indígenas, pelas mulheres, por minorias sexuais são hoje ameaçados explicitamente.

É hora de se lançar um novo grito:

PROGRESSISTAS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS PARA ENFRENTAR O GRANDE CAPITAL!

NADA TENDES A PERDER, SENÃO UM FUTURO DE MISÉRIA E INCERTEZA!

Feito com amor em memória de Honestino Guimarães.

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