Honestino Guimarães

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Em defesa da memória de Honestino Guimarães

Decisão do dia 6 de novembro de 2018, do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), considerou inconstitucional a Lei n° 5.523/2015 – que alterou a nomenclatura da Ponte Costa e Silva para Honestino Guimarães.

Honestino Monteiro Guimarães é o estudante da Universidade de Brasília que se destacou por ter passado em primeiro lugar geral da UnB no vestibular de 1965, aos 17 anos. Tornou-se o líder dos estudantes da UnB na resistência contra a ditadura, que de 1965 a 1968 invadiu quatro vezes a Universidade.

As qualidades individuais de Honestino abriam para ele amplas perspectivas de realização social e profissional. Ele vinha de uma família amorosa e solidamente constituída, e apesar da perseguição que sofria, casou-se (no religioso e no civil) e teve uma filha. Mas abdicou de sua vida e anseios pessoais para dedicar-se à militância estudantil e à luta clandestina contra a opressão ditatorial e pela justiça social. Por isso foi perseguido e ameaçado de morte pelos órgãos de repressão política e enfim, no dia 10 de outubro de 1973, aos 26 anos, desapareceu. Sua família procurou-o incansavelmente por décadas, sua mãe Maria Rosa Leite Monteiro e seu irmão Norton Monteiro Guimaães faleceram sem obter respostas sobre seu paradeiro, ainda hoje desconhecido.

A Oscar Niemeyer, também alvo de perseguição da ditadura, que projetou a ponte, certamente agradaria mais o nome de Honestino do que o de Costa e Silva. O projeto de alteração do nome, apresentado à Câmara Legislativa do DF em 2015 pelo deputado distrital Ricardo Vale, no desempenho de seu mandato recebido pelo voto popular, divulgado pelos meios de comunicação, foi aprovado e sancionado pelo governador Rodrigo Rollemberg.

Em 2017, sentença do juiz Carlos Frederico Maroja Medeiros da Vara de Meio Ambiente Desenvolvimento Urbano e Fundiário do DF analisa aspectos técnicos considerados na ação judicial de alguns moradores do Lago Sul, em 2016, e lembra que a homenagem a quem patrocinou a tortura e a opressão não é de modo algum do interesse da sociedade.
Nomear a ponte é a homenagem justa de uma cidade em que Honestino é, para a juventude de hoje e os que viveram as lutas do passado, um símbolo de integridade e coragem na defesa de ideais de justiça e liberdade. É uma forma de honrar sua memória e demonstrar respeito à sua família.

O anexo à Lei 9140/95 lista os nomes de 136 pessoas mortas ou desaparecidas em razão de atividade política, entre as quais Honestino. Seu desaparecimento já foi investigado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-DF em 1992, pela Comissão Nacional da Verdade e pelas Comissões Estaduais da Verdade do Rio e de São Paulo, sem resultados. A estudante Aparecida Schoenacker, presa no Dops em São Paulo em janeiro de 1974, ouviu de um investigador que Honestino estava morto. Hoje correm rumores de que os despojos de Honestino, morto sob tortura em Brasília, estariam na cidade de Formosa, em Goiás.

A decisão do TJDFT sobre a ação de uma deputada recém-eleita é uma decisão histórica, sim, por representar um triste retrocesso na história do nosso país, o único da América do Sul que não puniu aqueles que, em vez de sequer cumprir suas próprias leis, prenderam ilegalmente, torturaram e mataram cidadãos por defenderem suas ideias e exercerem o direito, afirmado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de se opor à tirania de uma ditadura.
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O texto acima foi publicado pelo site

https://brasiliarios.com/artigos/976-em-defesa-da-memoria-de-honestino-guimaraes

em novembro de 2017 e revisado pela autora, Betty Almeida, professora universitária aposentada, autora da biografia Paixão de Honestino, Editora UnB, Brasília, 2016.

Feito com amor em memória de Honestino Guimarães.

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