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Bem Vindo

Ao portal de informações sobre Honestino Guimarães.
Idealizado por Luiz Carlos Monteiro Guimarães.
Responsáveis: Betty Almeida e Katia Aguiar.
Agradecimentos a: Maria Rosa Leite Monteiro (em memória)
Norton Monteiro Guimarães (em memória)
Sebastião Lopes Neto
Ivonette Santiago de Almeida
Salvador Coaracy
 

UNE

No início de 1967 o decreto 228, ou decreto Aragão (o ministro da educação era Raymundo Moniz de Aragão) extinguiu as entidades estudantis e transferiu seus bens às universidades federais, para impor o DNE e os DEEs, mas eles nunca vingaram. A UNE, as UEEs e UMEs continuaram a representar os estudantes, mesmo clandestinamente. O governo militar desistiu de impor o DNE e os DEEs gorados. Embora com dificuldade, depois do advento da ditadura, o 27o Congresso da UNE, realizado em 1965, ainda foi aberto. O reitor da USP não quis ceder um local para o congresso, que mesmo assim foi realizado na Escola Politécnica da USP, em São Paulo. Seus diretores tinham de viver escondidos por causa da perseguição policial e a UNE passou a realizar congressos clandestinos: em 1966, o 28o ocorreu em Belo Horizonte e José Luís Guedes foi eleito presidente. Em 1967 aconteceu o 29o, realizado em Vinhedo, em São Paulo. Esse congresso só foi descoberto quando já tinha terminado. A polícia chegou atrasada e não conseguiu prender ninguém. O presidente eleito foi Luís Carlos Travassos. Os congressos clandestinos chegavam a ter trezentos delegados.Depois do AI-5, os encontros das entidades estudantis dissolvidas pela lei Suplicy continuaram a ocorrer na clandestinidade, sem grande participação dos estudantes, que eram enquadrados na lei de Segurança Nacional por participar das UEEs e da UNE. Esta situação piorou depois de fevereiro de 1969, quando o decreto 477 proibia de estudar em universidades públicas, por três anos, estudantes que tivessem atividade política.Com a queda do XXX Congresso da UNE, em 1968, as principais lideranças foram presas ou forçadas a cair na clandestinidade. Mas a UNE não ficou sem direção: depois da interinidade do vice-presidente José Roberto Arantes, uma plenária nacional, em abril de 1969, elegeu uma nova diretoria, sob a presidência de Jean-Marc von der Weid. Os vice-presidentes eram: Honestino Guimarães, ex-presidente da FEUB, já expulso da UnB e vivendo clandestinamente; Helenira Resende Nazareth, do Centro Acadêmico de Letras da USP; João de Paula, do Ceará; Aurélio Miguel, da Bahia; Valdo Silva, José Carlos da Mata Machado e Doralina Rodrigues de Carvalho, de Minas Gerais; Humberto Albuquerque Câmara Neto, da UEE de Pernambuco e Ronald Rocha, do Rio de Janeiro. Oficialmente extinta, a UNE clandestina não podia funcionar abertamente e não tinha mais sede. O prédio da praia do Flamengo foi ocupado pela Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT). A perseguição da ditadura era intensa. Jean-Marc foi preso ainda em 1969 e Honestino, um dos vice-presidentes, substituiu-o provisoriamente na presidência da UNE. Entre setembro e outubro de 1971 a UNE realizou, clandestinamente, seu XXXI Congresso. Estima-se em 200 os delegados que se reuniram em conselhos estaduais ou regionais realizados no Pará, Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Sul, Minas, Rio de Janeiro, Espírito Santo, DF e São Paulo. No Congresso, realizado na Baixada Fluminense (RJ), foi aprovada uma carta-programa para o período 1971-1973 e foi eleita a diretoria presidida por Honestino Monteiro Guimarães e composta por Ronald Rocha (RJ), Marco Aurélio Lisboa (MG), Rufino (CE), Maria Emília (BA), Jorge Paiva (SP), Luís Oscar (RS), Humberto Câmara (PE), Alírio Guerra (RN) e Pedro Calmon (RS). Esse Congresso, realizado em condições duríssimas, mas com cerca de 200 delegados, não tem entrado na contagem dos congressos da UNE, embora o nome de Honestino, eleito nessa ocasião, faça parte da lista de presidentes. Moção apresentada no 50o Congresso reivindica o reconhecimento do Congresso de 1971.

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