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Bem Vindo

Ao portal de informações sobre Honestino Guimarães.
Idealizado por Luiz Carlos Monteiro Guimarães.
Responsáveis: Betty Almeida e Katia Aguiar.
Agradecimentos a: Maria Rosa Leite Monteiro (em memória)
Norton Monteiro Guimarães (em memória)
Sebastião Lopes Neto
Ivonette Santiago de Almeida
Salvador Coaracy
 

Principal

MAIS QUE UM SONHO
Urú
Em Itaberaí a festa da padroeira Nossa Senhora da Abadia é na segunda semana de agosto. Dito Monteiro herdou do pai Buzico o cinema pequeno na Rua do Vai e Vem. Tinha esse nome porque era aonde, no sábado, todo mundo ia. Todo mundo eram os jovens no footing. Era um quarteirão da  Rua Senhor dos Passos. Depois Rui Mendonça ia fazer o cinema grande na Praça. Tinha a praça da igreja velha, pequena e graciosa. Quando falamos A Praça, é um retângulo de quatro ou cinco quarteirões vazios onde lá cima fizeram a igreja nova.
Ao lado dela ficava o colégio das freiras “alemãs” comandadas pela Irmã Seraphica, muito brava. Elas chegaram décadas antes da escola pública. Dali saíram muitas “normalistas lindas”.
Lá embaixo da Praça ficava a rua do cinema de Dito. Os meninos, Gui (depois conhecido como Honestino), Luiz e Norton trabalhavam com suas calças curtas na bilheteria, de baleiro e porteiro. Um time de 8, 9 a 12 anos. Luiz era homenagem a Prestes, um dos milhares de Luiz Carlos homenageando o dirigente da Coluna e do PCB. Contavam-se histórias da Coluna que andou por perto dali. Falava-se dos que se esconderam debaixo das camas e dos que viraram comunistas.
Gui, pequenininho, instigado por Monteiro, dizia: “eu vou estudar na União Soviética”. Duas décadas depois, quando desapareceram com ele, se ouvia: “do jeito que ele foi criado, ia virar comunista”, falado assim com consternação, mas quase como um atestado da culpa do pai.
Na festa não chove. O inverno, que é a época das chuvas, vai de outubro a março. Ninguém entendia verão em fim de ano. No Rio de Janeiro das revistas Cruzeiro ou Manchete, verão era lá pra dezembro. No cerrado são duas estações. Nas águas é inverno.Tempo seco, Monteiro punha uma tela enorme na rua, na esquina mesmo da Praça com a  Senhor dos Passos e passava filme. Os roceiros e toda a cidade comentavam sobre “a fita” que viam.
Como não lembrar ao ler:
” Eu não vou conhecer todos os lugares que desejo, nem tudo e todos que quero.
Não posso viajar no tempo
Não consigo acabar com a saudade, Nem conseguirei
Eu vou morrer algum dia ”
….
O cinema é só um sonho.

(De Cinema Paradiso)

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