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Bem Vindo

Ao portal de informações sobre Honestino Guimarães.
Idealizado por Luiz Carlos Monteiro Guimarães.
Responsáveis: Betty Almeida e Katia Aguiar.
Agradecimentos a: Maria Rosa Leite Monteiro (em memória)
Norton Monteiro Guimarães (em memória)
Sebastião Lopes Neto
Ivonette Santiago de Almeida
Salvador Coaracy
 

Ação Popular

No começo da década de 1960, em Belo Horizonte, Minas Gerais, floresciam os grupos de operários, camponeses e estudantes ligados à Igreja Católica: a Juventude Operária Católica (JOC), Juventude Agrária Católica (JAC), Juventude Estudantil Católica (JEC) e Juventude Universitária Católica (JUC), influenciados tanto pelas Encíclicas Mater e Magistra (1961) e Pacem in Terris (1963), defensoras do ecumenismo e da independência das instituições religiosas em relação aos poderes estabelecidos[1], quanto pela pregação reformista e modernizadora do Papa João XXIII. A Igreja católica tinha grande penetração e influência entre a juventude, tanto nos meios rurais como nas cidades e em torno dela organizavam-se movimentos sociais de inspiração humanista.
Essa orientação humanista, afinada com os ideais de igualdade cristã, apontava para a necessidade de justiça social, o que logo se configurou em propósitos de transformação social que adquiriram conotação e natureza política.
Em fevereiro de 1963, no Congresso de Salvador, foi criada a Ação Popular (AP), para a qual convergiram religiosos de orientação cristã, independentes de esquerda e marxistas. A ação cristã e a opção marxista-leninista foram momentos ideológicos marcantes na AP, que depois de fazer a opção marxista-leninista incorporou-a à sua sigla, que se tornou APM-L. A perspectiva era uma ação política que tivesse como horizonte a tranformação da sociedade brasileira para o socialismo, sistema que garantiria a abolição das injustiças causadas pela desigualdade de direitos  das pessoas. A organização clandestina, com estrutura de partido político, considerava o Brasil um país semifeudal e orientava-se pelo pensamento de Mao Tse Tung. A consecução do objetivo da mudança para o socialismo deveria passar por uma revolução democrática e popular em aliança com a burguesia nacional, na qual os trabalhadores do campo teriam um papel fundamental. Mas Honestino acreditava que o país já estava em processo de industrialização, que a massa de operários nas cidades já era grande e que a esses trabalhadores da cidade caberia o papel de liderar a revolução socialista no Brasil. A AP tinha grande penetração no Movimento Estudantil. Desde 1956 até 1973 o mandato de presidente da UNE sempre pertenceu a um membro da AP. Mesmo sendo uma organização clandestina, a AP chegou a ter milhares de militantes. No começo dos anos 1970 a grande maioria dos militantes da AP migrou para o PCdoB, hoje legal e parte da base do governo. Seus atuais dirigentes vieram da AP. Mas Honestino Monteiro Guimarães, Jair de Sá Ferreira, Doralina Rodrigues Carvalho, Paulo Stuart Wright, José Carlos da Mata Machado, Humberto Câmara, Gildo Lacerda e outros continuaram na APM-L, que não existe mais hoje, mas deixou sua marca na história política do Brasil.

KUPERMAN, Esther, Da Cruz à Estrela: A Trajetória da Ação Popular Marxista-Leninista, revistaEspaço Acadêmico, ano III, no 25, junho de 2003.